Será que a rádio vai sobreviver?

Este foi o tema que GERD LEONHARD veio discutir a Portugal no âmbito da Conferência Internacional A Rádio em Portugal e o Futuro, integrada nas comemorações dos 75 anos da Rádio Pública.

Leonhard comecou por indicar que se aproxima um tornado que vai (já está) a mudar o mundo dos conteúdos / plataformas de distribuição. As plataformas móveis estão a crescer bastante e é para elas que nos devemos dirigir, ou melhor, perceber o seu crescimento, investir nelas mas, mais do que isso, estar em todas as plataformas porque o cliente / consumidor estará em qualquer lado.

A banda larga será cada vez melhor e o crescimento das plataformas móveis associado à utilização de smart-phones será uma realidade em poucos anos, quando o preço for mais próximo dos 10 dólares praticados na China para estes dispositivos. E este crescimento interessa não só às empresas como também ao Governo que poupará bastante quando tiver apenas que contactar com os contribuintes de forma virtual. Os dispositivos móveis não são apenas utilizados como telefone ou para navegar na internet (embora aqui se possa fazer tudo o resto…), passam a ser também uma outra janela para a TV e para a rádio. Passamos do que Gerd apelida de “Cultura do Broadcast” para “Cultura de Broadband“.

A chave, para Gerd Leonhard está no acesso (numa primeira fase) e o acesso deve ser livre pois o consumidor/ utilizador não está disposto a pagar para aceder a conteúdos (ou apenas pagará um preço ridiculamente baixo que se justifique, por exemplo, 10 euros por mês para ver todos os filmes numa determinada plataforma). É o que o Leonhard considera “Economia do Acesso” e já não uma “Economia da Cópia”. O futuro para os broadcasters passará, segundo o CEO da The Futures Agency, pela incorporação de potencialidades interactivas e on-demand e pelo acesso ao arquivo de conteúdos completos. E aqui põem-se também problemas às distribuidoras de TV por cabo uma vez que, quando os consumidores tiverem tudo na Internet com largura de banda suficiente para disfrutar destes conteúdos, porque haverá pessoas a pagar mais por TV por cabo?

É verdade que existem batalhas sobre o que é legal, sobre direitos de autor, etc e existem também muitos lobbys de distribuidores contra esta questão do livre acesso. Mas Gerd levantou uma questão pertinente: se há imensos programas / sites que disponibilizam estes conteúdos, se o seu autor não o disponibilizar (fazendo-se pagar através de publicidade, patrocínios ou mesmo de um pequeno fee), ele estará a perder a sua oportunidade de negócio. Leonhard acredita que esta questão estará ultrapassada dentro de 5 anos e que o Estado terá uma papel determinante na sua resolução. Aliás, recorda o consultor, quando a rádio começou nos Estados Unidos levantaram-se muitas vozes contra a sua legalização porque se acreditava que ninguém compraria música que pudesse ouvir sem pagar. A questão foi ultrapassada e hoje este argumento é considerado risível. Agora, pensemos um pouco, não é o mesmo que estamos a fazer com o acesso a músicas na Internet? Se já existem vários programas de agregadores de música em que podemos fazer a nossa playlist sem qualquer download (apenas em streaming) e que podemos levar e ouvir em qualquer lado, porque não poderá a rádio / TV, que tem uma licença para transmitir estes conteúdos via broadcast, estar também no online?

Mas depois do livre acesso, coloca-se outra questão: o que ver / ouvir numa imensidão de conteúdos com que somos bombardeados / temos acesso todos os dias? É aqui que entram as rádios e as TV’s. E é aqui que, segundo o autor, estará o futuro da rádio/ TV: no papel de filtragem. Depois de passarmos a fase de querermos ter acesso a tudo, passamos a querer apenas os conteúdos que mais nos interessam. Já não será o “como” acedemos aos conteúdos mas sim o “que” aceder. O futuro estará no “contexto” e na “relevância” e é nestas áreas que as actuais rádios e TV’s ainda se podem posicionar e vencer. Mas do que relevância, será o papel da confiança a estar em destaque. Se hoje ouvimos esta ou aquela rádios porque nos identificamos com ela, é porque temos confiança em quem está a escolher aquela música. E o mesmo se passará no online/ móvel. Mas atenção, diz Leonhard, esta janela de oportunidade já pode ter passado em alguns países. Em Portugal ainda estamos a tempo mas, estima o autor, os broadcasters terão um máximo de dois/três anos para vencer no mundo dos novos media / novas plataformas em que o utilizador quer aceder a conteúdos na melhor janela disponível (não importa qual).

E, termina Gert Leonhard, “na batalha pela atenção, os que se tornarem ou se mantiverem relevantes, serão os que vencerão” sem esquecer que a “fragmentação de ouvintes/ espectadores/ utilizadores requer uma fragmentação na oferta de programas”. A forma de vencer será “adicionar valor” ao conteúdos e “fish where the fish are”, ou seja, estar onde estão os consumidores / utilizadores, isto é, estar em todas as plataformas, identificando os melhores veículos para cada tipo de mensagem/ conteúdo.

Ver a apresentação em Power Point de GERT LEONHARD desta conferência.

Ver um pequeno vídeo gravado por Rogério Santos desta apresentação

Acompanhar GERT LEONHARD no site http://www.mediafuturist.com/

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