Conhecer o Público-Alvo

É importante conhecer o público-alvo para o qual se quer comunicar para que as acções de Comunicação que se desenham façam sentido e para que os objectivos possam ser realizados. De salientar que conhecer o público-alvo não é fazer generalizações apenas por sexo e idade mas também por estilo de vida e cultura em que o mesmo está inserido.

Resolvi falar sobre esta questão, a propósito do vídeo ao lado que surge para dar a conhecer o Instituto de Estudos Turísticos de Macau e que tem como objectivo angariar alunos para a escola, posicionando-a como um local de bem-estar onde aprender é divertido.

A primeira reacção de um grupo de alunos portugueses que o viram numa apresentação da escola foi rir e comentar que este tipo de abordagem não faz sentido actualmente, que é uma abordagem já muito datada no tempo e que “já passou de moda”. Acredito que, para primeira abordagem, faz todo o sentido esta análise. E vejamos, um dos objectivos – não ser um vídeo aborrecido e divertir a audiência – já foi conseguido.

Agora passemos à segunda leitura do vídeo. Conhecemos o público-alvo do vídeo? À partida não, portanto não podemos analisar se o vídeo faz ou não sentido. Numa visão mais portuguesa/ ocidental do vídeo, a Universidade é posicionada como um local de saber, prestígio e sobriedade que não se coaduna com as danças e cantares deste vídeo que nos parece algo ridículo… mas será assim em Macau, na China? Ou por ser uma Escola de Hotelaria, é mesmo algo mais descontraído e dinâmico que se procura? Para o público-alvo desta Comunicação, o vídeo consegue atingir os objectivos propostos? Se sim, então a Comunicação está bem feita. Se não faz sentido para o público-alvo ou não serve para atingir os objectivos propostos, então, de facto, não faz sentido.

A questão é que muitas vezes analisamos uma campanha pelos nossos olhos, pelo que gostamos ou não e pelo que nos faz ou não sentido. Obviamente que esta primeira leitura deve existir mas necessitamos também de nos distanciar de nós próprios e perceber se somos ou não o público-alvo e que tipo de pessoas fazem parte dele, e isso é perceber as suas necessidades, o que procuram no produto, o seu estilo de vida e a cultura em que estão inseridos. Porque ser jovem em Portugal, nos EUA, em Macau ou na China não é certamente o mesmo, apesar de tudo o que possa unir esta faixa etária.

O importante é passarmos da primeira à segunda leitura. E perceber de facto o que faz ou não sentido. Se a segunda leitura reforçar a primeira, óptimo, estamos no caminho certo. Mas se a segunda leitura contrariar a primeira, não fazê-la poderá resultar em recusa de ideias/ campanhas que, apesar de possivelmente não ganharem nenhum troféu nos Festivais de Publicidade, seriam muito provavelmente óptimas para o nosso produto/ serviço. E no fim de contas, o mais importante é que a nossa Comunicação seja efectiva e relevante para o público-alvo.

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As marcas e a música

Já há alguns anos que várias marcas se associaram ao mundo da música: é o Super Bock, Super Rock, o Optimus Alice Festival, o Sudoeste TMN, o Delta Tejo… as marcas encontraram no filão da música uma forma alternativa de se expressarem e de chegarem de uma forma diferente aos públicos-alvo pretendidos. É uma maneira de chegar aos jovens, de se mostrarem atuais e dinâmicas, de se posicionarem como marcas jovens e refrescantes e de atraírem os jovens de hoje, em áreas em que é expectável que gastem o seu dinheiro. E é bom recordar que os jovens de hoje são os quadros de amanhã e que neste grupo também se integram os eternos jovens para quem os festivais de música são verdadeiros locais de culto. E claro, o mundo da música agradece e espera que as marcas não mudem de ideias e continuem a apoiá-lo.

Recentemente assistimos a um novo passo neste casamento de marcas e música. A Vodafone lançou a primeira rádio de marca em Portugal, Vodafone FM, e abriu novas possibilidades neste campo. Esta rádio não será o business core da marca mas reforça o seu posicionamento como dinâmica e inovadora, contribuindo para a missão da empresa que passa por “ser a mais admirada do Sector das Telecomunicações e uma das mais admiradas em Portugal pela relação que estabelece com os Clientes e pela atitude inovadora”. A rádio dedica-se a um “público urbano, jovem, irreverente, imaginativo, interactivo e aberto a novas experiências musicais” e tem uma estratégia de forte aposta na relação com os ouvintes, seguindo o claim da marca “Power to You” que aqui se torna “Mexe na Música”. A Vodafone é detentora do brand da rádio que é produzida pela Media Capital Rádios, fazendo parte da sua estratégia de rádios de nicho.

Depois da Vodafone Fm foi lançada a SWtmn numa clara alusão ao festival do Sudoeste patrocionado há já vários anos pela marca. A Vodafone Fm veio ocupar o espaço deixado pela Romântica e a SWtmn o espaço da Rádio Capital. Ambas têm emissão no éter no Porto e em Lisboa e também emissão online, apostando num site que trabalha em ligação com o Facebook. Enquanto a Vodafone Fm decidiu que seriam os ouvintes a definir a rádio: escolha dos apresentadores, escolha do novo jingle, escolha das músicas que continuam no ar… a SWtmn apostou em caras conhecidas como Raquel Strada e Rui Pêgo que prometem “acampar no teu rádio” para chegar ao público-alvo. Será uma rádio “feita por pessoas especializadas na música para pessoas que gostam de música”, uma clara tentativa de diferenciação da Vodafone Fm. Tal como na Vodafone Fm, a SWtmn – o Sudoeste online – é o resultado de uma associação entre a TMN  e um segundo operador – a Rádio Capital, detida pelo grupo LusoCanal de Luís Montez. A SWtmn vem reforçar a aposta da TMN na área da música “que surge agora reforçada e ancorada em quatro vectores principais: Festivais, uma rádio, uma sala de espectáculos permanente e o serviço Music Box. “TMN, Música no Máximo” é a assinatura que reflecte a aposta.”

A Super Bock também não quis ficar de fora e acaba de lançar uma plataforma “agregadora de todas as iniciativas da Super Bock ligadas à música (que) vai juntar a SBSR Dj Tour, SBSR Band In A Van, SBSR Roadie dos The National, SBSR Summer Parties e um programa na rádio Radar. Reforçando a comunicação online da marca, a plataforma pretende ainda servir como veículo de partilha de informação, contendo todos os eventos e actividades patrocinados e com apoio da Super Bock, bem como as novidades desta área, bandas revelação nacionais e internacionais, novos álbuns, os cartazes dos festivais onde a Super Bock está presente, passatempos ou oferta de bilhetes para concertos nacionais e internacionais.”

É o online em movimento e a percepção que esta é uma plataforma muito utilizada pelos jovens. Se as marcas quiserem ter uma relação com eles, terão de estar onde eles estão e esforçarem-se para serem relevantes para os mesmos, numa altura em que somos bombardeados com cada vez mais escolhas e temos cada vez menos tempo para ouvir a proposta de valor de cada uma delas.

Sherry Turkle – “Alone Together”

Entrevista da Harvard Review Magazine para o seu blog HBR IdeaCast com Sherry Turkle, professora do MIT e autora de “A Vida no Ecrã: A Identidade na Era da Internet” que lançou recentemente um novo livro: Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other.

Sherry Turkle deixa nesta conversa algumas frases sobre temas do livro. Segundo a autora, existem debates que têm mesmo de acontecer:

Produtividade, Multitasking e Conectividade Constante

  • Temos uma fantasia de que podemos usar a possibilidade de Multitasking para esticar o tempo mas a ciência já demonstrou que cada tarefa adicionada resulta numa perda de performance;
  • A constante conectividade não resulta necessariamente em produtividade. Estamos tão ocupados a comunicar que não conseguimos pensar, relacionar-nos ou criar algo que acrescente valor. Será necessário dar um passo atrás e reavaliar os nossos valores pessoais e empresariais;
  • As pessoas estão a ser esmagadas pelos múltiplos canais comunicacionais e pela necessidade de comunicar em todos eles (enviar email, sms, fazer follow-up por telefone…);
  • Recebemos centenas de comunicações todos os dias e não é fácil geri-las pois exigimos respostas a uma velocidade avassaladora. O tempo de resposta torna-se mais importante do que a qualidade da mesma.
  • A importância crescente de comunicações eletrónicas como o e-mail está ligada a uma tentativa de controlo do tempo e da resposta;
  • Apesar disso, também conseguimos utilizar a constante conectividade de formas positivas e produtivas, por exemplo, quando temos que nos reunir para reuniões com pessoas de vários locais ou mesmo de vários países;
  • As pessoas não querem falar do que está a correr mal porque sentem que não têm tempo para isso. Creio que é algo sobre o qual as empresas não estão a falar mas que precisam de fazer pois está a levá-las a uma mentalidade de censura. Não estamos a dar espaço às pessoas para debater os problemas;
  • Cada tecnologia deve fazer-nos confrontar entre o que esta representa e os nossos valores. Isso é bom porque faz-nos parar e pensar o que realmente queremos, força-nos a construir as bases das nossas vidas, pessoais e profissionais. As tecnologias devem ser nossas parceiras;
  • Estamos tão conectados que esquecemos que podemos, de fato, estar uns com os outros em vez de nos comunicarmos eletronicamente. Estamos a perder as nossas capacidades de colaboração;
  • Das 6ªs-feiras “Casual”, sugiro também as 3ªs-feiras “Conversacionais” porque as pessoas necessitam de conversas face-a-face para falar das suas vulnerabilidades, o que não fazem por escrito;

Robótica

  • É necessário existir uma conversação séria à volta da temática da Robótica e o que vamos fazer com esta tecnologia – queremos robots que nos ajudem ou robots que cuidem e ensinem as nossas crianças e os nossos idosos?

Dependência da Tecnologia

  • Temos de deixar de pensar na tecnologia como dependência porque. olhando para a temática desta forma, a lógica será dizer que temos de abandonar as tecnologias e isso não é possível. Esta visão só deixa as pessoas deprimidas.
  • Não se trata de desligar completamente da tecnologia. O que é necessário é que cada pessoa encontre a sua própria estratégia para lidar com a tecnologia e integrá-la da melhor forma na sua vida.

O melhor mesmo é ouvir a entrevista e ler este post do Tiago Doria Weblog sobre o novo livro da autora.

Email como ferramenta de comunicação online

Apesar dos prognósticos de 2010 de Sheryl Sandberg, Directora Executiva do Facebook, terem alguma validade quando indica que “os jovens preferem as redes sociais e as SMS para comunicar, e apenas uma pequena parte continua a usar serviços de email actualmente”, a verdade é que o email está vivo e continua a ser o principal meio de comunicação para a maioria dos utilizadores da Internet, sendo a primeira opção para comunicações comerciais. Em termos de comunicação pessoal, a preferência recai no telefone mas o email mantém-se como o principal meio escolhido para a comunicação online em todas as faixas etárias, à excepção dos jovens entre os 18 e 29 anos.

Segundo um estudo da agência Merkle87% dos utilizadores da Internet continuam a utilizar diariamente o seu email pessoal, dentro deste número 60% dos que tinham uma conta separada de email, para acesso a comunicação de empresas, também a verificavam diariamente. Estes números não têm sofrido grandes mudanças nos últimos anos.

De salientar que, segundo o mesmo estudo, os utilizadores de redes sociais têm maior probabilidade de verificar o e-mail 4 ou mais vezes por dia do que outros utilizadores de Internet e são também aqueles que menos respondem não verificar o email com frequência.

Ainda assim, nota-se um decréscimo no tempo passado no email relativamente a todas as faixas etárias abaixo dos 55 anos, com a utilização do email entre os jovens dos 12 aos 17 anos a atingir a queda máxima, descrescendo em 59%, segundo o relatório da comScore “2010 U.S. Digital Year in Review”.

Hoje os internautas possuem inúmeras formas de se comunicar através da rede, sendo que podem fazê-lo por meio dos computadores, dos telefones celulares, das mensagens instantâneas ou das redes sociais. O declínio no uso do email é só uma prova dessa nova dinâmica, onde impera a comunicação sob demanda e atendida por diversas opções”, indica Mark Donovan, vice-presidente de mobile da comScore.

O acesso ao email está então a decrescer em termos de utilização para assuntos pessoais (ainda assim mantém-se como o principal meio de comunicação online) e está a aumentar para assuntos profissionais, estando também a crescer o acesso a esta ferramenta através de dispositivos mobile.

Fontes: eMarketer, Web Marketing Tuga e tec.com.pt

Nota: os estudos indicados referem-se ao mercado norte-americano.

Recomendações – Em quem confiamos?

Vários estudos indicam que a confiança dos consumidores está, cada vez mais, em outros consumidores e não na Publicidade. Deste fato, advém também a importância crescente das redes sociais. O recente estudo da GlobalWebIndex “Annual Report 2011” reforça esta informação embora indique algumas alterações ao nível da utilização das redes sociais, cada vez mais utilizadas para partilha de conteúdos e menos para a criação dos mesmos.

Apesar da confiança demonstrada nos pares indicada acima, um estudo da Edelman “Trust Barometer” de 2011 vem demonstrar que, entre pessoas com ensino universitário e de idades compreendidas entre os 25 e 64 anos, a confiança nos pares decresceu de 47% para 43% de 2009 para 2010, surgindo a indicação da confiança em especialistas. De salientar que este resultado tem de ser visto como sendo o de uma população mais educada e não da população em geral. De qualquer forma, demonstra que os especialistas nas suas áreas continuam a ser importantes.

Não será por acaso que um dos objetivos da presença online de empresas seja o de identificar os líderes de opinião/ especialistas nas suas áreas para que estes tenham sempre informação disponível sobre as suas marcas e, quem sabe, se tornem algo evangelistas das mesmas.

De salientar ainda o crescimento de 31% para 50% relativo à confiança depositada no CEO de uma empresa. Este dado é importantíssimo num mundo que, cada vez mais, procuramos a verdade por detrás da publicidade, num mundo em que o consumidor despe a comunicação que recebe da marca para perceber efetivamente o que esta é e o que realmente lhe oferece (e daí a importância do Marketing with Meaning). Este crescimento da confiança no CEO da empresa traz valor à mesma mas pode também resultar numa quebra de confiança caso o CEO se veja envolvido em questões menos claras, descredibilizando assim a marca que representa.

Fonte: eMarketer “Who Gives The Most Trusted Recommendations?

Potencialidades do Mobile no PDC

Se algumas fases do Processo de Decisão de Compra são, tipicamente, mais solitárias ou com maior interação com amigos em vez da publicidade ou do que as marcas querem transmitir… o mobile vem alterar esta realidade e introduzir a possibilidade de interagir com o target, seja ele iniciador, influenciador, decisor ou consumidor, em todas as fases do Processo de Decisão de Compra. E isto acontece porque os dispositivos móveis, como os telemóveis ou os smarthphones, nos acompanham durante todo o dia, nas várias fases e faces que assumimos ao longo do mesmo, quer estejamos “no local de compra, no trânsito, no trabalho ou em casa”.

“Data from InsightExpress showed that during the holiday 2010 season, smartphone owners used their devices at different stages of the purchase funnel: to receive sale alerts (awareness), look for better prices and product reviews (consideration) and redeem coupons (conversion). This gives retailers many opportunities to connect with consumers and encourage purchase and loyalty.”

Por outro lado, é possível perceber que as marcas, no caso deste estudo os distribuidores, ainda consideram que podem implementar mais ações nesta área pelo que ainda estão apenas a começar.

Há ainda que ter em conta a subida nas vendas dos smartphones (consequência também da descida de preços) e a entrada dos tablets no dia-a-dia, o que resulta na maior relevância do mobile, área a que o mercado começa a estar bastante atento.

Considerando o mercado norte-americano, “eMarketer predicts smartphone ownership will rise from 31% of the mobile population this year to 43% by 2015. Nearly 110 million Americans will have a smartphone by the end of that year.” De salientar que os utilizadores de smartphones tendem a ser mais activos, até porque têm mais opções nos dispositivos que trazem sempre consigo. E os marketeers necessitam de estar atentos à nova realidade que se está a desenhar até porque, como sintetiza Noah Elkin, um dos principais analistas da eMarketer, “for marketers, half the battle of staying relevant is showing up in the right place and on the right platform.”

Rapidez na compra pode estar relacionada com o sobrenome

Os investigadores Kurt A. Carlson (Georgetown University) and Jacqueline M. Conard (Belmont University) concluiram que a rapidez com que uma compra é feita está diretamente relacionada com o sobrenome de cada pessoa. O sobrenome em causa é aquele com que a pessoa nasceu e não o que adquiriu mais tarde por casamento.

A investigação concluiu que esta ligação à primeira letra do sobrenome está relacionada com as chamadas na escola e em outros locais que é feita por ordem alfabética (em Portugal utiliza-se pouco o sobrenome e mais o primeiro nome, será que aqui também faz sentido?). Assim, quanto mais o sobrenome de uma pessoa começa com uma letra que aparece mais tarde no alfabeto, mais essa pessoa estará habituada a esperar e mais tenderá a comprar mais rapidamente quando a compra não depende da variável nome. Segundo o estudo, serão estas pessoas a esperar em grandes filas para serem as primeiras a comprar algo ou a valorizar uma oferta de uma marca que lhes possibilite um compra antes de todos. Quanto aos sobrenomes começados com letras do início do alfabeto, o estudo conclui que estão habituados a ter as coisas primeiro e que não dão muito valor a este tipo de oferta.

Mais um estudo que poderá ser muito importante para as estratégias de Marketing, nomedamente no Marketing Relacional que, no limite, poderá ser one-to-one. De qualquer forma, é importante lembrar que nem todos os países ordenam alfabeticamente pelo último nome e também que existem diferenças culturais de país para país (ou até de cidade para cidade) pelo que este estudo, para ser tido em conta, deveria ser validado em cada país e dentro deste, em vários locais.

Mais informações em Science Daily, a partir de um estudo do Journal of Consumer Research.