Charlie Hebdo… o que dizer?

 

O mundo foi sacudido esta 4ª-feira pelos actos violentos de 3 homens que mataram em Paris 10 pessoas do jornal de cartoons Charlie Hebdo que estavam reunidos na redacção e 2 polícias, deixando ainda um rasto de feridos.

O ataque foi levado a cabo por islamitas extremistas que atiraram sem lamentar enquanto gritavam “vão pagar por terem insultado o Profeta“, uma referência a cartoons com o profeta Maomé publicados no jornal em jeito de sátira. Infelizmente, não devem ter visto a edição abaixo:

O jornal é conhecido pela sátira a qualquer protagonista político e religioso como demonstram as capas abaixo:

Um acto que nos deixa sem palavras e que nos leva a ter certeza que o mundo pode mesmo ser um lugar feio, não pelo mundo mas pelas pessoas que o habitam. Deixo excertos de um texto que passam muito do meu estado de alma:

Gente como estes terroristas, que agora andam a monte, fugindo da polícia francesa como quem foge de uma anedota do António Sala (eles não gostam mesmo de nenhum tipo de humor, seja de salão ou maisnonsense), juntam ao facto de se levarem muito a sério, não tolerando ser alvo do gozo de ninguém, o facto de falarem, e atirarem, em nome de um profeta que não lhes passou procuração nenhuma.

Charb, o director do jornal, sabia como extremistas podiam encarar o que fazia mas não se deixava calar, tendo gritado ao mundo há vários: “Prefiro morrer em pé do que viver de joelhos.”

É importante também lembrar que nem todos os islamitas ou muçulmanos são extremistas, na verdade, a maioria deles são pacíficos e sofrem com a generalização que acontece depois de acontecimentos como este.

O maior perigo não é termos islamitas e/ ou muçulmanos ao nosso lado, é mesmo termos ao lado alguém que mata em nome de uma religião ou de qualquer outra coisa que os faz defender um acto extremo como o assassínio. São, na generalidade, pessoas normais, nossos vizinhos, da nossa nacionalidade e que falam a língua tão bem como nós.  O maior medo é mesmo este ser um inimigo invisível, na maior parte dos casos… No caso de Paris, os cidadãos até estavam na lista negra norte-americana mas isso não chegou para prevenir um acto como este.

Remato com Voltaire: “Posso não concordar com o que dizes mas defenderei até à morte o teu direito de dizê-lo” e com mais algumas palavras do texto de Joana Marques no Maria Capaz:

Posto isto, ainda resta um sorriso nas nossas caras. Não um sorriso de desdém ou de provocação, mas um sorriso de esperança, quando vemos que os humoristas por esse mundo fora se multiplicaram em respostas, escritas ou desenhadas, a esta tentativa de silenciamento. Como se pudessem penhorar-nos, mais do que a liberdade de termos opinião, a liberdade de rir. Não podem.

Anúncios

Tablets – a nova plataforma que veio para ficar

A mostrar que a nova plataforma veio para ficar, para além do enorme sucesso de vendas, está o fato de algumas universidades norte-americanas estarem já a adotar “o iPad como uma ferramenta de ensino, utilizando as mais diversas aplicações multimédia como, por exemplo, animações que explicam problemas matemáticos complexos passo-a-passo.” Quem sabe a próxima geração de Magalhães não é um tablet… Creio que a utilização das novas plataformas só poderá resultar numa melhor educação e ajudar a voltar a ligar os alunos à escola,a fazer com que a vejam não como algo que são obrigados a fazer, onde são obrigados a estar mas como um mundo em que querem estar e em que, de fato, aprendem. De formas tão divertidas e úteis como pode ser a navegação na Internet e os videojogos de que tanto gostam.

De recordar que um colégio galego já tinha apresentado no início deste ano a sua mochila digital.

Dentro desta tema, creio que é muito interessante a notícia do lançamento de uma aplicação Ipad para medir a tensão, mostrando os gigantes da Apple que estão atentos não só à importância que atribuirmos, em geral e de forma crescente, à saúde e bem-estar pessoal mas também, claramente, um piscar de olho às faixas etárias mais velhas. Este fato é de extrema importância tendo em conta a estrutura populacional de pirâmide invertida dos países ditos desenvolvidos, uma vez que é também nestes que os valores disponíveis para consumo são mais altos. É assim uma forma de tentar chegar junto de faixas etárias que estão a crescer nestes locais e, por outro lado, de incentivá-las a utilizar as novas plataformas.

Actualizado a 07.01.2011:

Ler ainda, a propósito, “The Newsonomics of tablets replacing newspapers” de Ken Doctor onde o autor alerta para a necessidade de existir uma subscrição única do jornal/ revista, que inclua o acesso nas várias plataformas, e para a atenção com os preços praticados pela publicidade e os próprios custos dos jornais que devem refletir a crescente digitalização.

Internet ultrapassa TV como principal fornecedora de informação entre os 18 e 29 anos

Num estudo recente da eMarketer nos EUA, a TV continua a ser o mass media, por excelência, retendo 40% do tempo gasto no consumo de media, com a Internet a ocupar 23,5%. São resultados globais que demonstram a importância da televisão.

No entanto, um estudo recente da Pew Research Center for the People & the Press, também nos EUA, veio mostrar que, na faixa etária entre os 18 e os 29 anos a principal fonte de informação passou a ser a Internet, ultrapassando, pela primeira vez, a televisão. Ainda assim, nas restantes faixas etárias a TV continua a dominar como a principal fonte de notícias, tanto nacionais como internacionais, ainda que esta predominância tenha vindo a cair ligeiramente nos últimos anos.

Ver outras conclusões do estudo.

Via Ponto Media.

UKZ3G4FSETDB

Ponto Media faz 10 anos e brinda-nos com a sua experiência

Ponto Media é um dos mais antigos blogs sobre Media em Portugal e comemora 10 anos dia 2 de Janeiro. Até lá, o autor do blog, António Granado, promete “10 posts que reflectem alguma da experiência que fui ganhando com este weblog. Uma maneira de dar as boas-vindas à segunda década do século XXI.”

O 1º post já está online e é sobre as 10 tendências para 2011, seleção publicada também hoje na revista Meios & Publicidade.

António Granado é jornalista e já foi editor de Ciência e mais tarde de Online do Jornal Público. Actualmente, é Coordenador da Redação Online da RTP. Granado dá ainda (excelentes!) aulas de Jornalismo na Universidade Nova de Lisboa, tendo desempenhado anteriormente as mesmas funções na Universidade de Coimbra.


Como tendências, António Granado identifica a aposta nos conteúdos móveis, a perda de influência e publicidade por parte de quem queira fazer pagar por conteúdos medíocres, o arranque em força da geo-localização, a redução das redações e o aumento do jornalismo de nicho e hiperlocal que poderão acabar com os media tradicionais, a qualidade do conteúdo como pedra basilar do Jornalismo, os tablets que não serão a salvação da profissão, a escalada da procura do vídeo pelos utilizadores (à qual os media terão de saber responder), as redes sociais como porta de divulgação dos media, a venda de produtos e serviços, o aumento do chamado “jornalismo do cidadão”, gerado pela co-criação e também o aumento de jornalismo de base de dados que permite trabalhar grandes quantidades de informação.

O melhor mesmo é ler o original.

Para conhecer um pouco mais da história deste blog, sugiro a entrevista de António Granado ao Diário2.com, na altura em que o Ponto Media completava 9 anos.

Parlamento inglês vai creditar “bloggers”

Será um caminho a seguir?

Notícia no Jornal Briefing.

António Granado deixa jornal Público

Actual editor do online (publico.pt), António Granado foi antes jornalista e editor de Ciência no mesmo jornal. Saiu do Público por vontade própria, segundo diz aqui, e está disponível para novas aventuras profissionais.

Perde o Público e perdem os leitores, tal como vários comentários à sua decisão indicam. Perde o mundo do jornalismo que, esperamos, perca por pouco tempo toda a experiência deste jornalista, toda a sua vontade de dar mais e de fazer algo diferente, de perceber os novos media e trabalhá-los o melhor possível. Continuam a ganhar todos os que tiverem o prazer de estar na suas aulas na FCSH, Universidade Nova de Lisboa.

Também eu por lá passei e António Granado foi, talvez, o melhor professor que tive naquela instituição (alguns foram muito bons mas António Granado foi muito mais do que isso). Apanhei-o no ano em que ele entrou para a FCSH, ainda não sabia muito bem o que era possível mudar na instituição nem como era possível aproveitar as potencialidades dos novos media para projectos com trabalhos feitos no curso mas a vontade de ir mais além e de nos levar a todos a aprender e fazer coisas diferentes, de “pensar fora da caixa”, essa estava lá. António não se limitava a dizer “façam”, nem a dar-nos trabalhos práticos só porque necessitávamos de algo mais do que a teoria. Não. Ele deu-nos bases, indicou-nos caminhos, alertou-nos para potencialidades e nunca deixou de debater temáticas sobre o jornalismo e o seu futuro. Respondeu sempre às nossas questões sobre estágios e o futuro do Jornalismo e não nos apressou nas nossas dúvidas sobre a área. Com ele aprendemos o mínimo de jornalismo online. O mínimo sim, porque a partir daí era connosco. Tínhamos as ferramentas, sabíamos escrever… estava na nossa mão sermos óptimos jornalistas (quer dizer, na nossa e numa oportunidade de mostrar o que valemos, claro).

A disponibilidade do António contrasta com a de muitas pessoas que nos passaram na vida. Sempre soubemos que podiamos contar com ele. E não era para nos dar as respostas certas ou fazer o trabalho por nós mas sim para nos indicar o caminho e estar lá para nos ajudar, caso precisássemos. E isso é muito mais do que muitas vezes nos é oferecido.

Tenho a certeza que, brevemente, o António terá um novo desafio profissional. Ou isso ou o jornalismo português está muito pior do que eu pensava…

por Ana Luísa Henriques Publicado em Jornalismo

Novo Jornal Online

Paulo Querido lança jornal online “diferente e original”

Aguardamos para conhecer.

Jornal I

“The Guardian” classifica I como um dos jornais mais inovadores.

Jornal I

O jornal I foi uma lufada de ar fresco no panorama da imprensa ecrita nacional não só em termos de estrutura mas também em termos de paginação.

Com este jornal, têm aparecido as melhores capas que tenho visto e esta equipa mostrou que é possível fazer diferente, que é possível fazer melhor mesmo que não se esteja a inventar nada.

Agora o I vai estar em destaque no congresso mundial da Associação Mundial de Imprensa Escrita.

Veja a notícia em: http://www.briefing.pt/content/view/798/10/

por Ana Luísa Henriques Publicado em Jornalismo

Televisão com mais notícias de âmbito nacional

“Os noticiários das estações portuguesas beneficiaram as informações de âmbito nacional em 2007. Mas o desporto e a saúde têm mais audiência.”

Notícia completa no Jornal Briefing