Gestão de Crise – O Online e o Poder da Comunicação

Depois de casos como o da Ford (que acabou bem porque lhe foi dada uma resposta rápida e concreta mas que começou porque não se percebeu o potencial das novas plataformas) e da United Airlines (um caso que correu menos bem e que começou com uma viajante da United Airlines que ficou com a sua guitarra partida no seguimento de uma viagem do Canadá para os EUA) a blogosfera portuguesa, Twitter e Facebook foram invadidos com questões sobre a Ensitel e a forma como tratou uma cliente.

Na era do Marketing Relacional, do cliente no centro da empresa, do valor da relação com o cliente e do feedback como elemento vital da estratégia de Marketing, como é que pode existir uma empresa que, não só não trate o cliente da melhor forma (infelizmente ainda existem muitas assim) mas que, mais do que isso, não perceba como funciona o mundo online e a propagação da comunicação nestas plataformas? Mais, como podem achar que apagar posts ou comentários pode ser o caminho? A comunicação unidireccional não é nesta plataforma. É lamentável que não o tenham percebido. Assim como é lamentável a resposta da empresa ao Destak sobre um possível comentário a este assunto: “a empresa diz que não está disponível nesta altura para prestar esclarecimentos e remete para mais tarde ou outro dia um comunicado ou resposta“.

E lamentável é também a reposta em comunicado enviado às redacções e publicado na página do Facebook da marca. Perderam uma óptima oportunidade de tranformar uma crise em boa comunicação sobre a empresa, uma ótima oportunidade para mudar a conversação sobre a marca. Mas, para isso, era preciso que compreendessem o que é o online e o que significa Marketing Relacional… ou, muito simplesmente, o que significa a palavra “diálogo”.

Este fiasco de Relações Públicas é já visto como um case study e já foi sugerido que os estudantes de Comunicação Estratégica / Relações Públicas fizessem uma tese sobre o caso. A hashtag #ensitel tem sido das mais activas durante o dia e já houve quem obtesse o domínio www.ensithell.com para tratar esta questão. No YouTube já circula um vídeo com o nome EnSHITel e outro sobre a reação de Hitler ao caso. No Facebook foi criada uma página, muito semelhante à página da marca, com o nome “Nunca mais compro nada na Ensitel“.

Os media ditos tradicionais também já apanharam a notícia.

Público Expresso Jornal de Notícias Diário de Notícias Destak TVI

Comentário do Paulo Querido no Correio da Manhã

Alguns blogs:

Posts que originaram a discussão são da Jonasnuts

Alguns comentários: O Melhor e Pior Aberto até de Madrugada WebMilionário Blasfémias

Interessante o artido da Daniela Espírito Santo no Jornal de Notícias Como responder a uma “revolta” na redes sociais?, o do Paulo Morais ENSITEL é alvo de “BUZZ Negativo” na WEB, o que fazer? ou o da Helena Garrido no Jornal de Negócios Blogues, Twitter e Ensitel.

Livros de Comunicação para Download Grátis

Livros de dowload permitido. Um excelente trabalho de recolha e agregação do blog ojornalista.com.

Seguir também para quem se interessa por Internet e Redes Sociais.

As Redes Sociais e a Proximidade ao Consumidor

A importância das redes sociais reside no facto do Homem ser uma animal social e ter necessidade de comunicar. As redes sociais já existem há muito (grupos de amigos, etc.) e também existem na Internet há já vários anos (blogues, fóruns) tendo começado com os fóruns específicos para questões sobre software e hardware onde os vários utilizadores trocavam ideias / questões/ respostas sobre problemas em comum.

Hoje as redes sociais explodiram porque são mais fáceis de utilizar e mais apeteciveis até pelo design da página. E coloca-se muitas vezes a questão de como medir o retorno de investimento (ROI). Mas talvez seja necessário pensar de uma forma diferente. Como medimos o retorno de ter uma linha directa no escritório, de ter um telemóvel e estar sempre contactável, de ter internet em qualquer lado? Percebemos que existe aqui uma mudança cultural, um mundo em que estamos sempre ligados. Sobre esta questão, é bastante interessante o artigo do Social Media Today sobre ROI in social media, connected world.

Quando se gasta dinheiro em estudos de mercado (que são importantes, claro), a entrada nas redes sociais pode ser pertinente pois é uma forma de estar mais perto do consumidor e perceber, sem interlocutores no meio, o que os consumidores querem, o que não querem ou consideram que funciona mal e como utilizam os nosso produtos / serviços (que, muitas vezes, pode ser diferente da forma que tínhamos pensado). É preciso ouvir e aprender, conversar com o consumidor.

Como indica o artigo “A very large, very profitable company admitted that engaging and celebrating and responding to and sharing with their customers changed their entire company culture“. Porque é a ouvir, aprender e conversar com o consumidor que se consquista a sua fidelidade.

E qual é o valor de estar próximo do consumidor (customer closeness)? Num outro artigo e partindo da ideia do livro Hidden Champions of the 21st Century de Hermann Simon, fica a conclusão “According to Simon, by staying close to your most demanding customers, these companies drive performance and innovation”. E estes paramêtros (principalmente a inovação, também não são fáceis de medir).

O mobile será (é) uma realidade

 

Já não é novidade para ninguém, até porque o estudo já tem algum tempo mas creio que é importante recordar: o estudo apresentado em Dezembro de 2009 pela Morgan Stanley indica que, dentro de 5 anos, o acesso à internet móvel irá ultrapassar o acesso à internet através do pc, estando este acesso a crescer muito mais rapidamente do que cresceu o acesso à internet a partir de casa.

Este crescimento está intimamente ligado às aplicações como o Facebook que permitem a actualização atravéss do telemóvel e, mais recentemente (pelo menos em Portugal) à chegada dos smartphones que tenderão a ser cada vez mais baratos. Tendo em conta que grande parte da população dos países desenvolvidos tem telemóvel (ou até mais do que um telemóvel no caso de Portugal), é fácil perceber que a penetração da internet móvel poderá crescer rapidamente quando o seu acesso for mais barato e pudermos utilizar maior largura de banda (com a chegada da TV digital poderemos vir a utilizar o espectro remanescente para as redes móveis – dividendo digital). E este acesso móvel poderá ser utilizado para tudo. O que significa que os marketeers deverão estar atentos a este crescimento e posicionar-se já nas novas plataformas, tendo o cuidado de ter páginas com visualização adaptada para estes dispositivos. E claro, aqui as redes sociais têm um papel muito importante. Interessante a infografia apresentada por Sofia Pichihua para explicar Por qué usar social media en tu campaña (infografía).

Não esquecer que existem vários de redes sociais: horizontais, verticais, blogging, bookmarking, agregadores, multimedia, wiki e mundos virtuais. É importante estar em vários tipos de redes sociais (escolhendo as plataformas que melhor se adequam à comunicação pretendida). E, mais do que isso, não esquecer que as redes sociais são locais de sociabilização, de comunicação multidireccional pelo que não basta estar, é necessário interagir com os utilizadores e actualizar constantemente a informação. Infografia das redes sociais mais importantes de 2010.